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Entrevista especial: Claudio Serpa, novo presidente da AFEIGRAF
03Aug/26

Entrevista especial: Claudio Serpa, novo presidente da AFEIGRAF

A AFEIGRAF está com novo presidente. Claudio Serpa assumiu a presidência para o biênio 2026/2028 e, juntamente com uma forte equipe, objetivo colocar um prática uma série de projetos. Para saber mais sobre as novidades da associação, realizadora da ExpoPrint Latin America, fizemos uma entrevista especial. Confira:

Antes de tudo, gostaria que o senhor se apresentasse e contasse sua história com a indústria de impressão.

Estou na indústria gráfica há quase 30 anos. Minha trajetória começou em 1998, na antiga Autologic, atuando na área de Workflow e gestão de projetos para jornais. Em 2002, a Autologic foi adquirida pela AGFA, e aceitei o desafio de integrar a equipe da AGFA Estados Unidos, onde atuei de 2002 a 2008 prestando suporte a workflows e projetos no segmento de jornais no mercado norte-americano.

Em 2008, retornei ao Brasil impulsionado pelo crescimento do mercado na América Latina e assumi a responsabilidade de expandir os negócios na região. Desde então, atuei na gestão de projetos para Key Accounts e na implantação de grandes projetos de workflow para jornais em toda a região da América Latina.

Em 2023, a divisão Offset da AGFA foi adquirida por um grupo de investimento alemão, dando origem à ECO3. Fui convidado a liderar e gerenciar a área de Serviços da ECO3 Brasil e, mais recentemente, na nova área de atuação da ECO3 de impressão digital, agreguei a responsabilidade como Gerente de Produtos LATAM.

Recentemente, fui agraciado com a indicação e aprovação para presidir a AFEIGRAF no biênio 2026-2028. É com grande entusiasmo e motivação que encaro esse novo desafio.
 


Quais seus principais objetivos como presidente da AFEIGRAF?

Como Presidente da AFEIGRAF para o biênio 2026-2028, meu foco principal estará em duas grandes frentes estratégicas.

A primeira é fortalecer e expandir a base de associados. A AFEIGRAF reúne hoje importantes empresas do setor gráfico, mas acredito que há espaço para trazer novos players e ampliar a representatividade da associação. Quero trabalhar ativamente para atrair novas empresas, mostrando o valor concreto de fazer parte de uma entidade que idealiza a ExpoPrint, o maior evento da indústria gráfica da América Latina.

A segunda frente é agregar novos benefícios e serviços aos membros. Minha visão é que a AFEIGRAF seja cada vez mais uma plataforma de geração de valor - não apenas como representante do setor, mas como impulsionadora de inovação, sustentabilidade e inteligência de mercado para todos os associados. Estou bastante motivado para construir, junto com a diretoria e os associados, uma gestão colaborativa, inovadora e alinhada aos desafios e oportunidades do setor gráfico.


Há algum desafio especial que o senhor deseja enfrentar neste mandato?

Um dos grandes desafios que pretendo enfrentar é agregar ainda mais valor para os membros da AFEIGRAF, fortalecendo cada vez mais a associação e sua relevância para o setor.

Além disso, quero investir em estudos mais aprofundados sobre o mercado gráfico, com análises de tendências e comportamentos, para que possamos oferecer aos associados inteligência de mercado de alto nível e subsidiar decisões estratégicas para o futuro do setor. 


Em sua visão, qual a relevância de uma entidade como a AFEIGRAF para a indústria de impressão, especialmente para os fornecedores do setor?

A AFEIGRAF tem uma relevância fundamental para a indústria gráfica. Fundada em março de 2004 por 15 empresas fornecedoras que acreditaram na necessidade de organização e representatividade do setor, a associação nasceu com o propósito de integrar o mercado, ganhar agilidade e inspirar profissionalismo. Hoje, reúne os principais fornecedores de equipamentos e insumos para a indústria gráfica do país.

Acredito que possuímos um grande poder de influência e representatividade para apoiar tanto os fornecedores quanto os clientes finais. Entre os objetivos estatutários da AFEIGRAF estão: congregar e defender os interesses dos associados, incentivar o desenvolvimento tecnológico do setor, promover estudos e pesquisas sobre o mercado gráfico, colaborar com entidades nacionais e internacionais, e representar a categoria junto aos poderes públicos e demais instâncias.

Como uma das idealizadoras da ExpoPrint, a maior feira da indústria gráfica da América Latina, nosso compromisso é elevar cada vez mais a qualidade, o valor e a relevância desse evento para o mercado. Atuamos em frentes como a simplificação de processos de importação e o combate a práticas de concorrência desleal. Ou seja, a AFEIGRAF atua como um elo estratégico entre fornecedores, clientes e o poder público, fortalecendo todo o ecossistema gráfico e gerando valor concreto para os associados.

Como o senhor analisa a indústria brasileira de impressão atualmente?

A indústria gráfica brasileira está passando por um dos momentos mais transformadores de sua história. Dois grandes movimentos simultâneos definem esse cenário.

O primeiro é a forte pressão competitiva trazida pelos fornecedores chineses. As importações vindas da China cresceram mais de 12% em 2025, e a presença chinesa no mercado brasileiro de equipamentos e insumos gráficos se intensifica cada vez mais, com produtos altamente competitivos em custo, resultado de cadeias produtivas integradas e escala global. Esse movimento acirra a concorrência e exige que os fornecedores estabelecidos no Brasil se diferenciem por meio de qualidade, suporte técnico, inovação e relacionamento com o cliente.

O segundo é a própria transformação estrutural do setor. O recente Estudo Sinais de Mudança: Setor Gráfico 2026, desenvolvido pelo Firjan em parceria com o SENAI, revela que a indústria gráfica brasileira está deixando de atuar apenas como uma cadeia produtiva focada em impressão para se tornar um ecossistema conectado à inovação, automação, sustentabilidade e experiência digital. Sustentabilidade deixou de ser diferencial e passou a ser requisito. A inteligência artificial, a automação e a impressão digital estão redesenhando os processos produtivos, e a requalificação profissional se tornou um desafio silencioso, mas urgente.

Nesse cenário duplamente desafiador, a AFEIGRAF tem um papel ainda mais importante no suporte aos seus membros. Cabe à associação oferecer inteligência de mercado, promover o desenvolvimento tecnológico do setor e atuar ativamente na defesa de uma concorrência justa e equilibrada.

A ExpoPrint 2026 revolucionou a indústria de impressão. Na visão do senhor, qual o impacto da ExpoPrint para o segmento?

A ExpoPrint tem relevância total e um impacto gigantesco na indústria gráfica do Brasil e da América Latina. Realizada de 24 a 28 de março de 2026 no Expo Center Norte, em São Paulo, sua mais recente edição foi histórica e consolidou a feira como o maior evento de impressão das Américas.

Os números comprovam essa relevância. Foram 57.275 visitantes qualificados - público recorde - com mais de 460 expositores representando mais de 1.000 marcas em 48.000 m² totalmente ocupados. Em termos de negócios, a edição gerou R$ 1,7 bilhão em volume de negócios, um marco expressivo para o setor.

A ExpoPrint reúne os principais fornecedores e clientes em um ambiente marcante, sendo o evento de maior relevância na região na atualidade. Desde o seu início, há mais de 20 anos, a ExpoPrint cria um ambiente excepcional para a realização de negócios, lançamento de tecnologias e fortalecimento de conexões em toda a cadeia produtiva gráfica.

Como será a atuação da AFEIGRAF para compartilhar informação e conhecimento com a indústria de impressão?

Pretendo intensificar ainda mais a atuação da AFEIGRAF na disseminação de conhecimento e informação para todo o setor gráfico, por meio de uma abordagem multicanal.

Comunicação e presença digital: Vou direcionar ainda mais energia para campanhas de divulgação do nosso valor, atuando de forma mais forte e estruturada nas mídias sociais - LinkedIn, Instagram e site institucional - para ampliar o alcance da associação e atrair novos públicos. Isso inclui a produção de conteúdo técnico relevante, como artigos, entrevistas, cases de sucesso e análises de tendências de mercado, posicionando a AFEIGRAF como referência em informação de qualidade para o setor.

Eventos e encontros: Quero incentivar e ampliar a realização de eventos técnicos e de negócios que aproximem fornecedores e clientes. Isso vai desde seminários e workshops presenciais e online até encontros regionais, criando oportunidades de networking, troca de experiências e capacitação profissional. A associação já tem um histórico de promover estudos, pesquisas, cursos e seminários - minha gestão buscará dar ainda mais escala e regularidade a essas iniciativas.

Inteligência de mercado: Outra frente estratégica será o investimento em estudos aprofundados sobre o mercado gráfico, com análises de tendências, comportamentos e dados setoriais. Quero que a AFEIGRAF produza e distribua conteúdo de alto valor que ajude os associados a tomar melhores decisões estratégicas e a se antecipar às transformações do mercado.

Parcerias institucionais: Também pretendo fortalecer as parcerias com entidades representativas e demais organizações do setor, ampliando o intercâmbio de conhecimento e a realização conjunta de iniciativas que beneficiem toda a cadeia produtiva gráfica.

O objetivo é fazer com que a AFEIGRAF seja percebida não apenas como uma entidade representativa, mas como uma plataforma ativa de geração e compartilhamento de conhecimento, que agrega valor real ao dia a dia dos associados e de todo o mercado gráfico.

Como será o trabalho para a atração de novos membros para a entidade?

Pretendo colocar o foco primeiramente nos fornecedores participantes da ExpoPrint, que já conhecem o valor da feira e, por extensão, da AFEIGRAF. Vamos estruturar pacotes especiais e condições diferenciadas para ingresso de novos membros, aproveitando o momento pós-feira, onde o relacionamento e a visibilidade estão aquecidos.

A estratégia que tenho em mente será basicamente composta por três frentes:

Abordagem direta e relacionamento pessoal: Pretendo atuar pessoalmente na prospecção, buscando contato direto com os diversos fornecedores do setor, apresentando de forma clara e objetiva os benefícios concretos de se tornar um membro da AFEIGRAF: representatividade institucional, acesso a inteligência de mercado, participação em eventos exclusivos e networking de alto nível com os principais players do segmento.

Campanhas estruturadas de comunicação: Vamos desenvolver campanhas direcionadas de divulgação, utilizando os canais da associação - site, LinkedIn, Instagram e mailing - para mostrar cases reais de valor entregue aos associados, depoimentos de membros atuais e os resultados tangíveis que a AFEIGRAF proporciona.

Programa de indicação entre associados: Quero criar um programa estruturado de indicação entre associados, onde os próprios membros atuais sejam embaixadores da associação, indicando novos fornecedores e fortalecendo a rede de contatos do setor.

O objetivo é construir um crescimento sustentável da base de associados, fortalecendo cada vez mais a representatividade e a força da AFEIGRAF no setor gráfico.

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